Exposição conta um pouco sobre o tempo que o tempo tem

Uma das poucas certezas da vida é a de que o tempo corre, a todo tempo. Não pára, não recua. Não volta, não acelera e nem espera. E de repente, quando a gente menos imagina, ele já passou. Mas, o que é o tempo? Como podemos medi-lo e entender o seu conceito nas ciências naturais?

Algumas respostas podem ser encontradas na exposição Faz Tempo, que conta de maneira criativa e interativa, como o tema está presente, não apenas na ciência, mas também na literatura, músicas, e poesias. A mostra pode ser explorada em dois espaços. No primeiro, o Pavilhão da Luneta Equatorial Heyde de 21 cm, o tempo conta história do Universo condensada em um ano por meio de um Calendário Cósmico, a criação da Terra e a atuação do tempo que marcou a vida geológica no planeta. É uma oportunidade de conhecer um ‘extraterrestre’ de verdade: um meteorito que é mais antigo do que a própria Terra.

Já no segundo espaço, o Pavilhão do Círculo Meridiano de Gautier, são abordados temas relacionados ao aspecto social do tempo e ao ‘tempo mecânico’. São diversos objetos expostos, e o público pode manusear engrenagens de um relógio de pêndulo, conhecer os componentes internos de um relógio de quartzo e atômico, que são usados para relacionar as formas de medir o tempo com a história da determinação da hora legal brasileira. Além de, claro, conhecer como as estrelas e o sol também podem ser usados para medir o tempo.

A exposição foi idealizada por Maria Esther Alvarez, pesquisadora da Coordenação de Educação e Ciências do MAST, que pensou em criar um mostra produzida coletivamente com seus bolsistas. “Ela surgiu em função das reflexões que fazíamos dentro da coordenação, em relação ao acervo do museu com temáticas da ciência e com as perspectivas de educação e de comunicação das ciências. Pensávamos uma forma de trabalharmos um tema do MAST, abordando de maneira interessante, tanto na perspectiva da história da ciência quanto da educação”.

A pesquisadora contou que a ideia era utilizar o acervo do museu, que tem uma coleção significativa no que se refere à medida do tempo, utilizando como balizador o conceito da  interdisciplinaridade. “Fizemos pesquisa com o público para saber o interesse em relação ao tema, ou seja, o que era o tempo para ele, se não houvesse o tempo, como a sociedade funcionaria, entre outras. A partir de algumas questões como essa, fomos construindo a exposição com base nas impressões dos visitantes. O público não está ligado exclusivamente à questões de medidas do tempo, de instrumentos ou de questões científicas. Ele está mais envolvido com a questão do tempo na própria vida, com a sua relação pessoal com o tempo”, relatou Esther.

O projeto também teve a colaboração de Rafael Velloso, bolsista do MAST, que foi um dos responsáveis por auxiliar no desenvolvimento dos estudos para a sua concepção. Ele relatou que a mostra foi pensada a partir de uma pesquisa com o público que visita o museu.

“As percepções dos visitantes ajudaram no desenvolvimento da exposição. Fizemos diversas entrevistas, principalmente com os que participavam do Programa de Observação do Céu, perguntando sobre a relevância de se criar uma mostra que falasse sobre o tempo e o que eles gostariam de ver nela. O interessante é que às vezes a gente pensa uma exposição para depois montá-la. A Faz Tempo não, a gente consultou o público, entendeu a sua demanda e curiosidade, e depois entregou o resultado”, explicou o bolsista.

Perceber a passagem do tempo também ajuda a entender a nossa evolução. E a exposição busca juntar uma série de informações sobre um assunto que não possui uma definição única. Os objetos e todos os elementos da mostra não deixam com que o tempo seja segmentado à alguma área de estudo. Astronomia, astrofísica, geologia, geografia, e diversas outras áreas utilizam o tema para mostrar o nosso desenvolvimento ao longo dos anos. “Hoje em dia, nós marcamos as datas em calendários, relógios e até no celular. Antigamente, a orientação do tempo era feita através do céu. E a Faz Tempo mostra isso, por exemplo, quando você entra na exposição, se depara com um calendário de um povo indígena brasileiro. Percebe-se que eles marcavam o ano por meio da mudança das estações, observando a alteração da floresta e a de sua paisagem, com flores e vegetação nascendo e morrendo ao longo do ano”, esclaresceu Rafael.

Em uma época em que todos se preocupam em chegar à tempo em seus compromissos, a exposição também mostra a evolução dos relógios e nos faz pensar sobre os motivos de sermos tão preocupados com a precisão e a importância de estarmos sempre ‘no horário’, em nossos compromissos cotidianos. Visitar a exposição Faz Tempo pode ser uma excelente maneira de dar um fôlego para compreender a correria de nossas vidas, mesmo em uma Era em que ‘tempo é dinheiro’ e o trabalho demanda tanto esforço das pessoas. Ela está aberta à visitação de terça à sexta, das 9h às 17h, e sábados e feriados, das 14h às 18h. A entrada é gratuita.

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