A conexão entre astronomia, mares e terras

Exposição “Olhar o céu, medir a Terra” explora as relações entre as observações dos corpos celestes e o conhecimento sobre o espaço terrestre a partir do uso de instrumentos de medição do tempo e do espaço.

Para navegar no oceano, sobretudo quando se ficava dias sem avistar as terras, as estrelas foram transformadas em pontos de referência importantes para os navegadores. Durante a Era dos descobrimentos, observar os astros permitia a localização em qualquer ponto da superfície terrestre. Os instrumentos como astrolábios, balestilhas, quadrantes e sextantes, auxiliavam na coleta de dados e na medição da altura das estrelas (dando a coordenada de latitude) durante as viagens. Essa é uma de muitas curiosidades que podem ser encontradas na exposição “Olhar o céu, medir a Terra”, que fica permanentemente em cartaz no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST).

A mostra leva o visitante a perceber como a observação dos corpos celestes permite medir a Terra, o que foi estrategicamente utilizado pelos Estados interessados em esquadrinhar o espaço para delimitar seus limites, administrando melhor os territórios. No caso do Brasil, muitas expedições foram feitas no século XIX e XX, no sentido de demarcar os limites entre o Império, posteriormente República, com os países vizinhos. Mais uma vez, as observações celestes e o uso dos instrumentos tiveram protagonismo: os teodolitos, sextantes, círculos meridianos, lunetas, cronômetros, relógios, bússolas e barômetros, instrumentos portáteis que eram levados durantes as viagens de demarcação de nossas fronteiras.

Foto: Bernardo Oliveira/MAST

Outro destaque da exposição é a expedição ao Planalto Central do país, liderada em 1892 pelo astrônomo Luiz Cruls, então diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro, hoje Observatório Nacional, cujo objetivo era demarcar o quadrilátero para a construção de uma nova capital, o que seria realizado quase 70 anos depois!

Ao visitar a exposição “Olhar o Céu, Medir a Terra”, além de conferir a forma como a Astronomia está relacionada com a formação do nosso país, o público também vai ver que as medições científicas feita pelos astrônomos resultaram na descoberta de povos indígenas, e na análise da paisagem natural, com estrutura das terras, rios e espécimes da flora e da fauna. A mostra pode ser visitada de terça à sexta, das 9h às 17h, e sábados e feriados, das 14h às 18h. A entrada é gratuita.

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