Sputnik completa 60 anos e é homenageado pelo MAST

Foto: Bruna Aguiar/MAST

Réplica do primeiro satélite artificial feito pelo homem, pode ser apreciada pelos visitantes do museu

Ele tinha pouco mais de meio metro de diâmetro e pesava cerca de 80 quilos, mas impressionou o mundo inteiro quando levou apenas uma hora e meia para dar a volta ao redor da Terra. O primeiro satélite da história, lançado pela então União Soviética, atingia impressionante 29 mil quilômetros por hora e foi um marco na corrida espacial da década de 1950. E para comemorar os 60 anos deste momento inesquecível, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), convida o público a conhecer uma das réplicas dessa “celebridade mundial”: o Sputnik.

Lançado no dia 4 de Outubro de 1957, quando o mundo vivia a ressaca da Segunda Guerra Mundial, o Sputnik deu início à corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Russa Socialista Soviética. Em órbita, o satélite emitia o som bip-bip, que podia ser escutado em determinada frequência de rádio. Por 21 dias, ele emitiu sinais para a terra, porém as baterias acabaram em 26 de Outubro daquele ano. O astrônomo Naelton Araújo, da Fundação Planetário do Rio de Janeiro, e o professor em História das Ciências e da Saúde, José Leandro Cardoso, promoveram palestra no MAST, no mês de outubro, explicando a história e os conflitos que levaram ao desenvolvimento da tecnologia espacial.

Naelton contou como a tecnologia de foguetes avançados alemães foi usada para desenvolver armas potentes. A reboque desse conflito aconteceu o avanço da tecnologia espacial e o começo da exploração do Espaço com fins científicos, assim, o céu deixou de ser o limite.

Foto: Bruna Aguiar/MAST

“A tecnologia espacial é um subproduto da tecnologia militar. Foguetes não eram feitos para colocar satélite no ar, mas mísseis intercontinentais. No ponto de vista de quem patrocinou esse desenvolvimento tecnológico, americanos e soviéticos, colocar um satélite no ar era um subproduto. A história começa antes de 1960, na Alemanha, com as bombas V2 que por muito tempo foram o estereótipo de foguete na ficção científica. A V2 está presente no desenho Tintim e até no Pica-pau”, contou o astrônomo.

A Corrida Espacial inspirou a indústria cinematográfica a produzir vários filmes dedicados à exploração do espaço pelo ser humano, como “O Homem do Sputnik” (1959), “Odisséia no Espaço” (1968) e “O Céu de Outubro” (1999). O professor Dr. José Leandro Cardoso apresentou a repercussão do lançamento do Sputnik na imprensa carioca e a formação da memória do satélite em filmes. Ao falar do filme “O Céu de Outubro” o professor apontou o analfabetismo científico dos Estados Unidos, no começo dos anos 60.

“O personagem principal desse filme morava numa cidade carvoeira e não tinha nenhuma perspectiva na vida a não ser trabalhar nas minas de carvão. Vendo o Sputnik passar, ele pensou em alternativas de futuro. A trajetória do Sputnik, que brilhava como uma estrela cadente, cortava o país americano umas quatro vezes ao dia, em um nível de órbita bem baixa. A partir daí o jovem começou a se interessar em fazer foguetes. Esse filme revela o analfabetismo científico nos Estudos Unidos no começo da tecnologia espacial. A NASA (National Aeronautics and Space Administration) surge justamente dessa necessidade e tem o objetivo de centralizar as pesquisas e disputar com a União Soviética”, relatou José Leandro.

Devido ao sucesso da exposição do objeto, que vem atraindo diferentes públicos ao MAST, a direção do museu resolveu prorrogar até o final do ano a exibição desta réplica, em tamanho natural. É importante salientar que a réplica do Sputnik foi doada ao MAST pela embaixada da então União Soviética, ainda na década de 80 do século passado. Na época, a peça fez parte de uma exposição sobre esta grande conquista espacial.

Texto feito com a colaboração do jornalista Daniel Barroso
* Leonne Gabriel é Estagiário de Jornalismo no Museu de Astronomia e Ciências Afins

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