História da ciência une China e Brasil

Acordo de cooperação aproxima as comunidades de historiadores e une cientistas dos dois países

No passado, a comercialização da seda fabricada na China criou caminhos através de mares e terras que ligavam países em diversos continentes. Era a chamada Rota da Seda, que favoreceu a geração de riquezas e o intercambio de idéias e costumes. Nos dias atuais, isso não é diferente, já que  a troca de informações e o estabelecimento de parcerias são fundamentais para o progresso. Foi pensando neste intercâmbio de conhecimento que a Sociedade Chinesa de História da Ciência (SCHC) e a Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC) firmaram um acordo de cooperação em história da ciência e tecnologia, para a realização de pesquisas conjuntas através do programa Ciência e Civilização na Rota da Seda Internacional.

A cerimônia que concretizou a parceria aconteceu durante o 25º Congresso Internacional de História da Ciência e Tecnologia, realizado entre 23 e 29 de julho, no Rio de Janeiro. O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) foi o local escolhido para receber a comitiva chinesa, membros das instituições, pesquisadores e cientistas. Heloísa Bertol, diretora do MAST, afirmou que o museu não foi selecionado acidentalmente, pois além de ser sede da SBHC, possui uma das maiores coleções de objetos astronômicos na América Latina. “Faz muito sentido o MAST ser o local para a comemoração desse acordo. Somos a instituição que concentra todas as atividades desta parceria, além de contarmos com a infraestrutura para receber este tipo de celebração, que valoriza a história da ciência”, afirmou Heloísa.

Foto: Bruna Aguiar/MAST

Para selar o acordo de cooperação, Sun Xiaochun, presidente da SCHC, e Christina Helena Barboza, presidente da SBHC e também pesquisadora do MAST, assinaram uma carta na qual as duas instituições se comprometem a intensificar a troca de conhecimento por meio de intercâmbios entre bibliotecas, museus, arquivos e exposições. “A comunicação e a troca de experiências e ideias sempre foram importantes na história. A ciência e tecnologia é o que une as diferentes civilizações. China e Brasil têm um grande potencial de cooperação científica e tecnológica”, afirmou Sun Xiaochun. O presidente da SCHC citou ainda que os intercâmbios podem oferecer uma base sólida para a cooperação comercial entre os países. “Ambos têm uma ampla área científica e tecnológica e podem fazer trocas de conhecimento, por exemplo, em história da astronomia, cartografia e arqueologia”, disse Sun.

Foto: Bruna Aguiar/MAST

O presidente da instituição chinesa também contou que visitou o MAST no ano passado, e ficou encantado com o acervo do Museu. Ele relatou que teve ótimas conversas com especialistas, o que gerou o interesse em realizar projetos em parceria com a instituição. “Percebi que temos muitas coisas similares entre Brasil e China, por exemplo, os observatórios astronômicos centenários. Os métodos científicos utilizado por nossos países são fundamentais para a ciência moderna e vão promover avanços para ambas as partes”, concluiu.

Christina Barboza corroborou com as declarações de Sun Xiaochun, afirmando que as pesquisas dos dois países na área da história da ciência têm muito em comum, e que o acordo vai ajudar a ampliar o setor de pesquisa e melhorar o entendimento entre os dois países. “Esse é um momento importante, tanto para a sociedade brasileira quanto para a sociedade chinesa, pois é um caminho para a circulação de conhecimento entre os pesquisadores. É uma oportunidade para se conhecer melhor a cultura e, particularmente, a história da ciência desses dois países.

Ela afirmou ainda que, apesar da distância, China e Brasil possuem muitas cooperações e, no caso específico da ciência, o acordo também vai permitir o intercâmbio cultural, já que a história dos dois países são similares. “Nossas histórias e culturas têm pontos em comum. No que se refere a história de colaboração, em especial da ciência, isso tem a ver com as próprias identidades nacionais e com essas culturas tão ricas, tanto no período de início da expansão marítima, com o papel dos jesuítas, como recentemente no final do Século XIX e início do Século XX, com o processo de ocidentalização. Por isso, investir nessa parceria é investir também no resgate e na construção de sua identidade como nação”, concluiu.

O acordo de cooperação vai aproximar as comunidades de historiadores e unir cientistas sociais brasileiros e chineses. O documento também estabelece a criação de projetos conjuntos, a realização de encontros, exposições, publicações, o compartilhamento de fontes de pesquisa, além de várias formas de intercâmbio entre pesquisadores e alunos de pós-graduação.

[2017] Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC) e a Sociedade Chinesa de História da Ciência e Tecnologia

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