Conferência destaca a história social da ciência

As influências científicas e técnicas da França em antigas colônias são objetos de estudo do Programa “Ciência e Impérios“, desenvolvido pelo pesquisador e especialista na história das relações científicas internacionais, Patrick Petitjean. Em sua palestra, realizada no último dia 20 de julho no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Petitjean revisitou o projeto inicial 30 depois, destacando como o interesse dos pesquisadores brasileiros pelo estudo da influência das tradições culturais francesas contribuiu para a criação da comunidade científica no Brasil.

O pesquisador abordou também, a questão do colonialismo e intercâmbio cultural nas instituições de pesquisa e de ensino científico e técnico no Brasil, citando que o eurocentrismo presente na história da ciência não deu importância para a mutação da ciência moderna. “A palavra colonialismo era uma palavra considerada tabu da história na universidade francesa. Era impossível falar sobre ciência e imperialismo, então escolhemos o tema ciência e impérios”, afirmou Petitjean. Além disso, o historiador destacou alguns aspectos históricos e contemporâneos da ciência, mostrando que é preciso compreendê-la enquanto processo intelectual, cultural e social.

Foto: Bruna Aguiar/MAST

“Estamos entre o fim do que se chama os 30 anos gloriosos do programa Ciência e Império, ao menos para a Europa, que estavam baseados sobre a ciência e a técnica, e a fase de globalização. A ciência era vista como meio incontestável de libertação. O debate da época era sobre a ciência moderna, seja européia por natureza ou por contingência. E também a questão do desenvolvimento científico europeu, visto como modelo a se seguir”, afirmou o historiador.

Segundo Heloisa Bertol Domingues, diretora do MAST, a pesquisa desenvolvida por Petitjean foi pioneira, e a palestra do historiador ajudou a entender a organização da história social da ciência. “Foi um grande prazer recebê-lo no MAST. Esse trabalho criou um laço muito forte com os historiadores da ciência no Brasil. Patrick foi um militante do movimento de esquerda em 1968 na França, e sua pesquisa tem a ver com o contexto social vivenciado naquela época, quando houve processos contra a energia nuclear e outros movimentos políticos que o levaram a esta discussão dentro da história da ciência”.

Confira a palestra “Ciências e Impérios: o projeto inicial revisitado 30 depois” de Patrick Petitjean na íntegra:


Comments

comments