Observações lunares

No final da década de 60, o Programa Apollo inicia um novo capítulo da sua história ao lançar a nave Apollo 11. O objetivo do programa coordenado pela Agência Espacial Americana – NASA – sempre foi explorar a Lua. De la Terre à la Lune. Na obra de ficção científica do francês Júlio Verner, de 1865, três tripulantes são enviados em uma bala de canhão para a Lua.  Mais de cem anos após a publicação, a missão seria finalmente concluída com sucesso na vida real. No dia 20 de julho de 1969, a nave Apollo 11 permite que três astronautas, Neil Armstrong, Edwin Buzz Aldrin e Michael Collins, pisem em solo lunar.

Para celebrar esta data, a coluna Observando o MAST apresenta nesta edição os instrumentos do acervo do Museu utilizados no passado por astrônomos do Observatório Nacional em um estudo direcionado ao Programa Apollo. Entre os anos 1968 e 1970, instituição brasileira colaborou com um projeto internacional – LION (Lunar International Observation Network) – que envolvia a observação de fenômenos na superfície da Lua.

Com a câmera de Markovitz acoplada à uma luneta equatorial (21 cm ou 32 cm), os astrônomos do Observatório registravam o satélite natural ao longo da noite. O estudo do fenômeno de curta duração de luminescência na superfície lunar tinha conexão direta com o programa de exploração espacial. Os dados obtidos eram enviados frequentemente para a NASA. Nas observações, a equipe buscava brilhos e/ou manchas na superfície da Lua. Caso fosse identificado algum tipo de luminescência no solo, no período em que os astronautas estavam em missão, o Observatório reportava o fato à Agência Espacial, por intermédio da embaixada americana.

De acordo com o Catálogo Brasileiro de Fenômenos Lunares: “A observação visual sistemática da Lua atingiu um ponto alto no Brasil durante o programa Apollo (1968-1972), ocasião em que diversos observadores brasileiros coordenados por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (Observatório Nacional), foram incluídos na LION”. (Amorim, Alexandre, 2015, p.3)

Ainda segundo a publicação, após uma análise dos registros feitos no Brasil da época, ficou evidente que os astrônomos trabalham com o “princípio de que os fenômenos eram potencialmente transitórios identificando-os pela sigla TLP (do inglês, Transient Lunar Phenomena)”. (Amorim, Alexandre, 2015, p.3).

Segundo Alexandre Amorim, autor do catálogo, os fenômenos de luminescência vistos em solo lunar nas últimas décadas do século XX podem não ser de caráter transitório. A ideia surgiu após comparar uma de suas observações feita no início de um fenômeno de iluminação no interior da cratera Ptolemaeus com um dos registros realizados no Observatório: “ […] notamos que era muito similar ao que foi relatado por Travnik e Vianna em 13-14 de abril de 1970 […]. Para efeito de estudo seria necessário registros constantes da Lua. No entanto, com o fim da LION, as observações lunares tornaram-se cada vez mais esporádicas.

Observando o MAST, você pode conferir de perto a câmera de Markovitz usada no Programa Apollo. Atualmente, o instrumento faz parte da exposição Visões da Luz. Na mesma vitrine, uma réplica em tamanho reduzido da Luneta Equatorial 21 cm. As lunetas centenárias usadas no Programa Apollo estão abrigadas nos pavilhões históricos que compõem o acervo arquitetônico e paisagístico da instituição. Ambas as lunetas, 21 cm e 32 cm, estão abertas para visitação pública. Inclusive para observação noturna. Já pensou como seria observar um fenômeno de luminescência na superfície da Lua durante uma atividade do Programa de Observação do Céu?

Referências bibliográficas:

http://site.mast.br/multimidia_instrumentos/luneta_historico.html

http://www.apolo11.com/homem_na_lua_1.php

Instituto Astronômico e Geofísico da USP: memória sobre sua formação e evolução. Acessado no dia 3 de julho de 2017. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=FTONSnrsgNQC&pg=PA133&lpg=PA133&dq=programa+markowitz&source=bl&ots=HDUeo7Dsk8&sig=qhNxVNFJ31nj19E72P7341JV6cI&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiPmqmZ7evUAhXKGJAKHYqnBsIQ6AEIQTAD#v=onepage&q=programa%20markowitz&f=false >

Catálogo brasileiro de fenômenos lunares / Alexandre Amorim. 1. ed. – Florianópolis, 2015. 22p.  Acessado no dia 3 de julho de 2017. Disponível em: < http://www.geocities.ws/costeira1/cbfl2015.pdf >

Marcus Granato; Jusselma D. de Brito; Cristiane Suzuki. Restauração do pavilhão, cúpula metálica e luneta equatorial de 32 cm – conjunto arquitetônico do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Acessado em 3 de julho de 2017. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142005000100010>

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