Impressão 3D na medicina: a visão de especialistas

Na exposição 3D: Imprimindo o futuro, que já foi vista por quase 2 mil visitantes nos últimos 30 dias, pesquisadores falam dos avanços e dos mitos em torno dessa tecnologia de impressão: “Os jornais dão a impressão que em breve órgãos do corpo humano poderão ser impressos e transplantados, mas ainda levará muitos anos para se alcançar essa aplicação”, afirma o   professor da Universidade de Manchester (Inglaterra), Brien Derby.

Exposição já foi vista por quase 2 mil pessoas nos últimos 30 dias. Foto: Bruna Aguiar/MAST

Quem visita a exposição tem a oportunidade de acompanhar as etapas do processo de impressão em 3D, e conhecer, através de vídeos exibidos na mostra, o que pensam  cientistas, empresários e criadores sobre as muitas aplicações atuais dessa técnica e  seus potenciais usos no futuro.  Resultado de uma parceria entre o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e o Science Museum, de Londres a mostra é composta por modelos impressos em 3D a partir de pesquisas e idéias desenvolvidas por especialistas em ciências, design e engenharia.

A impressão 3D na medicina

Para professores de universidades do Reino Unido, é importante que o público conheça bem o estágio atual das aplicações da tecnologia para não imaginar que a medicina já pode imprimir um órgão e colocá-lo no corpo de um paciente: “Os órgãos tem uma engenharia complexa, precisamos saber exatamente como eles funcionam em todos os níveis estruturais, e isto nem os biólogos conhecem neste momento”, diz o professor Derby.

Ele acrescenta: “O que podemos fazer no momento é criar coisas parecidas com órgãos mas que em geral não funcionam como tal. O melhor exemplo está no conserto de ossos: com a impressão 3D, se faltar um pedaço grande do osso podemos imprimir uma réplica da parte faltante e encaixar bem no corpo, dando o aspecto ósseo da estrutura interna. Com o tempo o impresso sumirá deixando lá o reparo de encaixe perfeito”.

Foto: Bruno Cazonatti/ MAST

John Hunt, professor da Universidade de Liverpool, afirma que um dos principais mitos da mídia é que no futuro estarão à venda peças do corpo criadas a partir da tecnologia de impressão 3D. “Isso levanta preocupações, porque quer dizer que poderíamos viver para sempre e que também bastaria ir a um hospital e sair de lá como um carro de uma oficina: de pneus novos. Hoje, se implantarmos um tecido ou órgão, o corpo levaria muito tempo até se tornar parte do paciente e funcionar cem por cento bem. Órgãos impressos em 3D com células não existem agora. Mas, materiais impressos em 3D que não tem células são usados tanto para tecidos quanto para ossos. No futuro, gostaríamos de usar materiais com células como parte do processo de impressão afim de gerar órgãos e tecidos implantáveis, contendo material vivo”.

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