Jandira Flaeschen e o encanto pelo papel

Miscellanea Curiosa, uma coleção de 61 livros impressos na Alemanha no século XVII que faz parte do acervo de obras raras da Biblioteca Nacional, foi a base escolhida pela conservadora-restauradora Jandira Helena Fernandes Flaeschen, para desenvolver a pesquisa de mestrado no curso de Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia que realiza no MAST.

“Meu foco principal é a ação preventiva, ou seja, definir o que pode ser feito dentro de um ambiente de guarda, como as bibliotecas, para preservar os nossos acervos, tanto de livros quanto de documentos”, diz Jandira, que confessa ser apaixonada pelo que faz. Formada em pedagogia, ela trabalhava numa escola, e, sentindo-se estressada com a rotina, se inscreveu num curso de pintura, onde um professor lhe falou sobre restauração de obras em papel, cerâmica, tecido, madeira. “Fiquei encantada” afirma.

E aí Jandira não parou – fez curso na faculdade Estácio de Sá, estágio no Arquivo Histórico do Exército, trabalhou num projeto na biblioteca do Jardim Botânico e como terceirizada na Biblioteca Nacional, depois passou em concurso e hoje vive entre papéis e documentos de outros tempos: “Restauração é um trabalho que exige paciência, concentração tem que esperar, analisar, ver se o que a gente faz corresponde ao que se espera; precisa de conhecimentos nas áreas de química, física e biologia, e muita dedicação”

Em sua pesquisa em torno da coleção Miscellanea Curiosa, a conservadora-restauradora analisou as relações e interferências da qualidade do ar e do microclima na preservação dessas obras que ela escolheu trabalhar tanto pelo valor de seu conteúdo quanto pela qualidade e detalhamento das ilustrações botânicas e anatômicas. “Este conjunto de periódicos foi lançado um pouco depois da primeira dessas coleções, publicada pela Royal Society. Percebi que os livros tinham problemas de acidificação, o papel estava muito amarelado, com manchas de umidade, então achei que a coleção seria capaz de contribuir muito para a pesquisa”, adianta Jandira Helena.

Os dados recolhidos sobre as interferências do microclima e as amostragens microbiológicas ocorreram durante todas as estações do ano e foram analisados pela Jandira e seus orientadores, Antonio Carlos da Costa e Ozana Hannesch: “Agora podemos demonstrar que a poeira contém contaminantes, microorganismos, esporos de fungos que podem se proliferar dependendo das condições do local onde livros e documentos em papel estão guardados. E assim, a coleção do século XVII continua contribuindo para o conhecimento de quem vive no século XXI”, diz Jandira Helena.

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