Conexão cultural unindo ciência e arte no MAST

Sarau com as Estrelas trouxe poesia e música, permitindo o acesso à arte e a cultura para o público do Museu

A poesia tomou conta do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), despertando sentimentos e comovendo o público que participou da 2ª edição do Sarau com as Estrelas. Teatro, música, poema e muita observação do céu trouxeram diferentes vertentes culturais para comover, sensibilizar e despertar sentimentos. O evento aconteceu no dia 14 de março, em parceria com o Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB-7), e fez parte da comemoração pelo Dia do Bibliotecário.

Organizado pela bibliotecária da equipe do MAST, Lúcia Lino, a iniciativa surgiu como vertente do Festival Palavras e Maravilhas, realizado em 2016 pelo Museu e a ONG Aprendizes da Esperança (França-Brasil). “O Festival Palavras e Maravilhas é um evento franco-brasileiro que tem como objetivo promover o intercâmbio cultural e suas variadas vertentes como: literatura, poesia, artes visuais e música. Aconteceu em diversos espaços da cidade, sendo o MAST um deles. Foi um sucesso, teve uma resposta positiva do público, o que nos inspirou a criar o Sarau com as Estrelas no ano seguinte e, agora em 2018,  realizarmos novamente por meio da parceria com CRB-7, trazendo além da poesia, uma apresentação musical comandada por Rômulo Marques Ribeiro, Ricardo Vilas, Marisa Alfaya, Marcos Frederico e Reinaldo Vargas”, contou Lúcia.

Um dos destaques da programação foi a peça Memórias de Fogo, uma apresentação com interfaces estabelecidas entre poesia interpretada, poesia musicada e poesia dançada. O espetáculo contou com questões sociopolíticas na encenação, com uma narrativa trazendo uma reflexão sobre a vida. O Professor do Curso de Biblioteconomia da UNIRIO, Laffayete Alvares Jr, que é o diretor musical da peça, contou como reuniu elementos de diferentes áreas do conhecimento para construir a apresentação.

“Biblioteconomia e música têm uma ligação, principalmente na parte da musicografia e da bibliografia. A ligação se dá na linha da pesquisa. Por exemplo, quando eu assumi a direção desta peça, essa responsabilidade me exigiu fazer um trabalho de pesquisa apurado, pesquisando textos atrativos que falam sobre revolução e tendo que buscar elementos interessantes da música. Por isso, a peça tem um poema de Vladimir Maiakovski (dramaturgo e teórico russo, também conhecido como “o poeta da Revolução”) e também a música Corsário, de João Bosco, canção inspirada no poema E então, que quereis?… do poeta russo. Essa referência se dá por conta da pesquisa que fiz, ou seja, trazendo esses elementos para dentro da música”, explicou Laffayet.

O poeta e também diretor da peça, Sady Bianchin, reforçou a importância de trazer um evento cultural ao MAST. Ele afirmou que o Sarau com as Estrelas é uma importante iniciativa que permite o Museu se tornar dinâmico e vivo com práticas culturais contemporânea.

“É uma conexão entre ciência e arte, pois a arte é um importante instrumento de transformação da realidade social. O Museu de Astronomia abriu espaço para que a arte possa acontecer em seu espaço, ou seja, ampliou a visão de observar, não só as questões ligadas à natureza e seus movimentos e transformações que são feitas pelo homem, como também valorizar a poesia que é expressão direta da consciência de um povo. É uma forma de o Museu se tornar vivo, e humanizar este espaço onde a ciência se legitima e também trabalha com a possibilidade de um olhar do cotidiano, da sociedade e que possa ouvir esses poetas. Foi sensacional estar aqui no mês onde se comemora o Dia Nacional da Poesia, o aniversário de Castro Alves, indivíduo pertinente que nos ensinou que a Praça é do Povo e o Céu do Condor, ou seja, as observações do céu ficam no foco do Condor, e a praça a gente trouxe aqui para o MAST”, contou e declamou Sady.

Além dos poemas, e das interpretações artísticas, o evento também contou com a força do RAP, que ecoou suas rimas pelo Museu. O grupo Coletivo Cultural – Conexão Penetra, trouxe a “Rapoesia” na voz de Tigo CNX, DonFree e Golden Lotus.

“Viemos ao Museu fazer Rap com poesia, uma Rapoesia trazendo nossa manifestação social como música. O Coletivo traz a discussão sobre a justiça, dignidade e, nesse sentido, fazer rimas poéticas para falar sobre temas importantes em nossa sociedade. Bom ver aqui no MAST muitos jovens, que hoje só encontram espaço de lazer nas ruas. Trazer nossa arte aqui, é uma oportunidade de ampliarmos a nossa voz.”, contou o rapper Tigo.

Para fechar a noite especial, após o tradicional Programa de Observação do Céu, o público foi convidado a conhecer o Varal Poético, um espaço aberto onde foi possível compartilhar algum verso ou conto. Além de leitura de poesias ao ar livre, a iniciativa inspirou os participantes a lerem seus próprios poemas sob o belo céu estrelado que compôs o cenário do evento. “A poesia tem lugar garantido num espaço onde se encontram plantas, pássaros, pessoas e observação do céu. O evento proporcionou momentos de paz e alegria num Rio de Janeiro tão machucado pela violência”, comemorou Lucia Lino.

O Sarau já faz parte do calendário anual do MAST e a ideia é incentivar ainda mais a realização de eventos culturais para tornar a instituição um espaço onde ciência e cultura caminham lado a lado em prol da sociedade. Clique AQUI e confira mais imagens deste dia de celebração.

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