Olhos humanos a serviço da ciência

Estudantes de vários países analisam fotos exclusivas dos principais telescópios profissionais do mundo. Objetivo é “caçar” asteroides ainda desconhecidos pela ciência.

A  internet e os jogos onlines costumam consumir bastante tempo dos jovens ao longo do dia, isso não é novidade para ninguém. Tempo que poderia ser dedicado a outras tarefas importantes, como contatos sociais e estudos, por exemplo. Mas você sabia que, alguns estudantes do Rio de Janeiro têm parado em frente a tela do computador para ajudar a proteger o nosso planeta dos perigos vindos do espaço? Pois é, eles são os nossos “caçadores de asteroides”.

Esta é a 2ª edição da campanha “Caça aos Asteroides”, que acontece nas Naves do Conhecimento, espaços que democratizam o acesso ao universo digital em ambientes criativos e de muita interação. O projeto é fruto de parceria com a Colaboração Internacional de Pesquisa Astronômica (IASC), e tem apoio Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação (SMDEI). O objetivo é reunir alunos da rede pública de ensino do Rio de Janeiro para analisar fotos exclusivas dos principais telescópios profissionais do mundo, e fazer com que esses estudantes aprendam como “caçar” um asteroide ainda desconhecido pela ciência.

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O Museu de Astronomia e Ciências Fins (MAST) tem contribuído para o sucesso desta edição da campanha, que está sendo realizada entre os meses de março e abril. A Instituição tem cedido profissionais do Museu para realizarem palestras de astronomia para os grupos de estudantes das escolas de ensino fundamental que participam do projeto. Além disso, o MAST leva o Planetário Inflável Digital para as Naves do Conhecimento e promove cursos de curta duração de astronomia para os  professores.

Os servidores Omar Martins e Carlos Henrique realizam palestra na Nave do Conhecimento, na Penha

Douglas Falcão Silva, físico e pesquisador da Coordenação de Educação em Ciências (COEDU/MAST), destacou a importância da Instituição estar envolvida no projeto: “É uma excelente forma de estreitar relações com os professores, estudantes e escolas do Rio de Janeiro. A nossa ideia é que ao final das palestras, os alunos venham conhecer o MAST e tenham acesso a todo o trabalho que realizamos para a divulgação científica”, observou.

Além do prazer das descobertas e do aprendizado, a campanha promove uma agradável competição entre as Naves do Conhecimento. São nove unidades localizadas nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro: Engenho de Dentro, Irajá, Madureira, Nova Brasília, Padre Miguel, Penha, Santa Cruz, Triagem e Vila Aliança. Em 2017, a turma de Padre Miguel ficou em primeiro lugar, com 122 descobertas provisórias.

Para os estudantes, outra grande motivação é o fato de sentirem que estão fazendo ciência. Eles procuram por objetos circulares que se movimentam em linha reta e velocidade constante. Quando o aluno identifica um corpo celeste com essas características, comunica um dos tutores da Nave para validar a descoberta. É responsabilidade deles produzir e enviar um relatório com os resultados para a IASC. Caso o órgão confirme que os asteroides não eram conhecidos anteriormente pela comunidade internacional, os alunos ganham o direito de batizá-los e recebem um certificado pela descoberta.

O projeto de “Caça aos Asteroides”, que teve início em 2006 nas universidades americanas, hoje está presente em 80 países e em mais de mil escolas. O professor americano Patrick Miller (à esquerda, na foto ao lado de Douglas Falcão) é o coordenador mundial deste programa que, explora uma capacidade intrínseca do cérebro humano, a de reconhecer padrões. A inteligência artificial ainda não conseguiu desenvolver softwares capazes de reconhecer e identificar esses asteroides. A sutileza nas imagens só é percebida pelo olho humano.

A Agência Espacial Norte Americana (NASA) tem reforçado as iniciativas para identificação de asteroides que se aproximam da terra, não apenas para investigação científica, mas também para localizar os que podem vir a causar danos ao nosso planeta. Douglas Falcão comentou a relevância dos estudantes da rede pública participarem deste projeto: “É uma experiência muito qualificada para esses jovens. Além de tudo, é o momento em que os alunos  saem dessa realidade tão complicada e sonhem um pouco, colocando as carreiras de Ciência e Tecnologia dentro do seu leque de possibilidades e desejos”, concluiu ele.

Omar Martins comanda gincana com os estudantes