As lunetas do MAST

Ao passear pelo Campus ON/MAST,  o visitante tem a oportunidade de conhecer um importante conjunto arquitetônico do século XX voltado para astronomia.  Dentro desse conjunto formado por 16 edificações e que, em parte, estão sob a guarda do Museu de Astronomia, destacam-se os pavilhões das três lunetas equatoriais e das quatro meridianas.

Foto: Pavilhões das lunetas equatoriais no Campus ON/MAST./ Crédito: Acervo MAST.

Mas afinal como elas funcionam? Para responder essa questão é preciso voltar no tempo do advento das primeiras lunetas e entender o  processo evolutivo do objeto ao longo da história. Muito embora o primeiro registro de um projeto de luneta para uso geral tenha ocorrido em 1608, historiadores não descartam a hipótese de que o objeto pode ter sido inventado muito antes do modelo apresentado pelo alemão naturalizado holandês e fabricante de lentes Hans Lippershey. Isso porque o vidro (descoberto por volta de 3500 a. C) já era usado por povos antigos como ferramenta de ampliação de imagens.  Os gregos, por exemplo, já sabiam manipular espelhos e estudavam o fenômeno da refração.

Foto: Luneta de Galileu/ Créd.: Imagem de internet.

Inspirado no instrumento óptico proposto por Lippershey, em 1609, o  italiano Galileu Galilei desenvolveu um modelo capaz de aumentar três vezes o tamanho aparente de um objeto. Depois construiu outros ainda mais potentes, com ampliação de até 30 vezes.  Foi o primeiro a usar o objeto para fins científicos. Ao observar o céu com suas lunetas astronômicas, Galileu fez descobertas importantes como, por exemplo,  as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus e os quatro satélites  de Júpiter – Io, Europa, Ganímedes e Calisto.

As lunetas do Observatório…

As equatoriais recebem esse nome em função da montagem que está de acordo com o eixo do nosso planeta. As lunetas equatoriais possuem um sistema de acompanhamento constituído de pesos e cordas que serve para movimentar o instrumento paralelamente ao eixo da Terra, porém em sentido contrário ao de sua rotação, visando compensar o movimento diurno dos astros.  Esse tipo de luneta permite a observação continuada dos astros, ou seja,  de acordo com os movimentos dos mesmos.

Foto: Luneta Equatorial 21 cm/ Créd.: Renata Bohrer

Uma das lunetas mais conhecidas pelo grande público do MAST é a 21cm. Em uso desde os primeiros anos do século XX, a luneta ganhou outra finalidade com o passar dos anos. E, atualmente, integra  o Programa de Observação do Céu (POC) – atividade prática de observação voltada para o público do Museu de Astronomia e Ciências Afins.  No passado, o instrumento serviu em estudos astronômicos no Morro do Castelo e, posteriormente, no Morro São Januário, em São Cristóvão.

Originalmente essa luneta possuía uma lente ocular Bradley, especial para a observação de estrelas variáveis – que oscilam a intensidade de seu brilho ao longo do tempo, de forma periódica ou não. Essa lente ocular alcançava uma região do céu semelhante às cartas de estrelas variáveis e, através das estrelas chamadas fixas, o observador podia visualmente determinar a diferença de brilho entre a estrela variável e a estrela fixa, verificando quando as estrelas variáveis estavam mais ou menos brilhantes. Próximo à luneta 21 cm, temos os pavilhões que abrigam as equatoriais 32 cm e 46 cm. Esta última encontra-se sob a guarda do ON e é considerada a maior refratora do Brasil.

Foto: Meridiana Askânia./ Acervo

Ainda no Campus, podemos observar outros modelos de lunetas. São as meridianas.  Bem diferente da montagem das equatoriais, o movimento da meridiana se dá ao redor de um eixo horizontal no sentido norte-sul. Em função de sua montagem,  o pavilhão de uma meridiana deve apresentar uma cobertura móvel, de abertura manual que permite a observação  dos astros que passam pelo meridiano local.

Em frente aos pavilhões das meridianas estão as miras. Essas edificações servem para a aferição do instrumento na direção norte-sul. As lunetas meridianas foram usadas para observação da passagem das estrelas pelo meridiano local e, consequentemente, para a determinação da hora, com auxílio de pêndulas e cronógrafos instalados nos pavilhões.

Até onde conseguimos enxergar?

O olho humano é um órgão especializado para a detecção, localização e análise da luz. Dentro ou fora da Terra, o nosso alcance visual vai depender de estímulos luminosos. É o que explica o astrônomo Eugênio Reis:

“Vamos enxergar o que for brilhante mesmo que esteja muito distante. Um exemplo são as  duas galáxias anãs, as Nuvens de Magalhães, que estão afastadas da gente e ainda assim conseguimos enxergá-las a olho nu.”

Foto: Oculares da luneta 21 cm./ Renata Bohrer.

Você sabia?

A luneta equatorial 21 cm tem a capacidade de ampliar a imagem de um objeto celeste de 75 até 500 vezes! É importante frisar que o alcance visual do instrumento tem relação direta com a distância focal e sua ocular.

Sobre lunetas e telescópios …

As lunetas são consideradas um tipo específico de telescópio, o refrator. Elas possuem restrições em comparação com um telescópio refletor. Tecnicamente, os telescópios refratores, chamados popularmente de lunetas, usam lentes como objetivas; enquanto que os refletores utilizam espelhos.

Foto: Réplica do telescópio OPD/ Renata Bohrer

Quanto maior o tamanho de abertura (diâmetro da objetiva em milímetros)  do telescópio, maior será sua capacidade de visualizar objetos distantes. Isso porque quanto maior a abertura, mais luz pode ser concentrada,  permitindo assim a observação até de objetos com pouca luminosidade. O maior telescópio brasileiro possui 1,6 metro de diâmetro (do espelho). Instalado a 1.684 metros de altitude, o instrumento do Observatório do Pico dos Dias (OPD) situa-se no sul de Minas Gerais.

Referências Bibliográficas

http://site.mast.br/multimidia_instrumentos/luneta_colecao.html

http://tudosobrelunetas.blogspot.com.br/2016/11/

http://oal.ul.pt/inicio/historia-recente-do-oal/aparelhos-e-actividade/

https://pergaminhocientifico.wordpress.com/2015/04/27/a-luneta-de-galileu/

http://www.mast.br/index.php/pt-br/2013-10-27-00-11-7/2-uncategorised/81-acervo-museologico.html

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