Os desafios da acessibilidade nos museus

Perante a lei todos somos iguais, porém quando não são oferecidas as condições ideais de acessibilidade àqueles que precisam, automaticamente surge uma situação de vulnerabilidade. De modo geral, a implementação da acessibilidade nos espaços públicos e privados é fundamental, e significa igualdade no direito de ir e vir, com segurança e comodidade.

Para tratar desse assunto tão atual e importante para a nossa sociedade, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) promoveu uma roda de conversa com o tema “acessibilidades em museus”. O evento ocorreu durante a IV Semana Pedagógica, realizada pela Coordenação de Educação em Ciências (COEDU), e teve a participação de Jéssica Norberto Rocha, que possui Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e é Doutorando em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Ela também é autora do Guia de Museus e Centro de Ciências acessíveis da América Latina e do Caribe.

Foto: Renata Bohrer

Anelise Pacheco, diretora do MAST, iniciou a conversa destacando que o legado da Educação na instituição é referência para o Brasil inteiro, e cada vez mais deve ser fortalecido e difundido por meio de atividades desenvolvidas pelo museu. Ela desejou que durante a apresentação do tema surgissem grandes ideias para qualificar ainda mais as ações do MAST e, ao longo do bate papo, naturalmente, elas foram aparecendo e atraindo a atenção de todos os participantes do evento.

O termo “acessibilidade” costuma estar associado à deficiência em geral. No entanto, ao considerarmos que o museu é um espaço que presta serviço público, o termo adquire outras dimensões, mais amplas e inclusivas. É necessário que seus serviços estejam adequados para serem alcançados, utilizados e vivenciados por qualquer pessoa, independentemente da sua condição física ou comunicacional.

Foto: Renata Bohrer

Jéssica Rocha apresentou dados de suas pesquisas com indicadores de acessibilidade em museus e centros de ciências, enfatizando que o assunto é de extrema importância e requer comprometimento. Ela também explicou que a acessibilidade plena prima pela adoção de aspectos emocionais, afetivos e intelectuais. O ambiente bem estruturado deve gerar a capacidade de acolher seus visitantes, e criar aptidão no local para desenvolver empatia e afeto em seus usuários.

Eugênio Reis Neto, Coordenador de Educação em Ciências do MAST, acompanhou todo o debate e ressaltou que, a melhora na acessibilidade ao museu tem sido considerado fundamental para o crescimento e desenvolvimento da instituição: “A construção do nosso Centro de Visitantes demonstra o quanto desejamos proporcionar ao público uma experiência de visitação plena em aspectos logísticos. Tudo está sendo realizado dentro das normas de acessibilidade, visando o bem-estar e autonomia de nossos visitantes”, afirmou.

Ao final do produtivo encontro, Jéssica Rocha elogiou a iniciativa do museu em promover e incentivar o debate sobre acessibilidade. Ela também falou do sentimento de ter sido convidada pela equipe do MAST para compartilhar todo o seu conhecimento a respeito do tema: “O MAST sempre foi uma referência pra mim. Os estudos realizados por profissionais da instituição é modelo para todo o Brasil. Ter esse espaço de diálogo aqui dentro é muito importante e realmente uma honra”, concluiu.

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